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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Pintores brasileiros

Anita Malfatti

Introdução 



Anita Malfatti foi uma importante e famosa artista plástica (pintora e desenhista) brasileira. Nasceu na cidade de São Paulo, no dia 2 de dezembro de 1889 e faleceu na mesma cidade, em 6 de novembro de 1964.

Vida e obra

Anita Malfatti era filha de Bety Malfatti (norte-americana de origem alemã) e pai italiano. Estudou pintura em escolas de arte na Alemanha e nos Estados Unidos (estudou na Independent School of Art em Nova Iorque). Em sua passagem pela Alemanha, em 1910, entrou em contacto com o expressionismo, que a influenciou muito. Já nos Estados Unidos teve contacto com o movimento modernista.

Em 1917, Anita Malfatti realizou uma exposição artística muito polémica, por ser inovadora, e ao mesmo tempo revolucionária. As obras de Anita, que retratavam principalmente os personagens marginalizados dos centros urbanos, causou desaprovação nos integrantes das classes sociais mais conservadoras.

Em 1922, junto com seu amigo Mario de Andrade, participou da Semana de Arte Moderna. Ela fazia parte do Grupo dos Cinco, integrado por Malfatti, Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia.

Entre os anos de 1923 e 1928 foi morar em Paris. Retornou à São Paulo em 1928 e passou a leccionar desenho na Universidade Mackenzie até o ano de 1933. Em 1942, tornou-se presidente do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. Entre 1933 e 1953, passou a leccionar desenho nas dependências de sua casa. 




Principais obras de Anita Malfatti 

-

A boba


Estudante russa


O homem das sete cores


domingo, 6 de setembro de 2009

Pintores brasileiros

Tarcila do Amaral

“A artista plástica paulista é a pintora mais representativa da primeira fase do movimento modernista brasileiro. Seu quadro Abaporu, de 1928, inaugura o Movimento Antropofágico nas artes plásticas.

Começou a aprender pintura em 1917, com Pedro Alexandrino. Mais tarde, estuda com George Fischer Elphons. Em 1920, viaja a Paris e freqüenta a Académie Julien, onde é orientada por Émile Renard. Na França, conhece Fernand Léger e participa do Salão Oficial dos Artistas Franceses de 1922, desenvolvendo técnicas influenciadas pelo cubismo. De volta ao Brasil, em 1922, une-se a Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Mário de Andrade e Oswald de Andrade, formando o chamado Grupo dos Cinco, que defende as idéias da Semana de Arte Moderna e toma a frente do movimento modernista no país.
Casa-se com Oswald de Andrade em 1926 e, no mesmo ano, realiza sua primeira exposição individual, na Galeria Percier, em Paris. A partir de então, suas obras adquirem fortes características primitivistas e nativistas e passam a ser associadas aos Movimentos Pau-Brasil e Antropofágico, idealizados pelo marido. Em 1933, passa a desenvolver uma pintura mais ligada a temas sociais, da qual são exemplos as telas Operários e Segunda Classe. Expõe nas 1ª e 2ª Bienais de São Paulo e ganha uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em 1960. É tema de sala especial na Bienal de São Paulo de 1963 e, no ano seguinte, apresenta-se na 32ª Bienal de Veneza.
Apesar de integrar-se ao Modernismo que surge no Brasil não participou da "Semana de 22”.

Fonte: http://sampa.art.br/biografias/tarsila/

O Abaporu, 1928, Tarsila do Amaral. Óleo sobre tela, 85 X 73. Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, Argentina.

Ver mais trabalhos em:

http://sampa.art.br/biografias/tarsila/galeria/


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Verdes são os campos


Verdes são os campos,

De cor de limão:

Assim são os olhos

Do meu coração.

Campo, que te estendes

Com verdura bela;

Ovelhas, que nela

Vosso pasto tendes,

De ervas vos mantendes

Que traz o Verão,

E eu das lembranças

Do meu coração.

Gados que pasceis

Com contentamento,

Vosso mantimento

Não no entendereis;

Isso que comeis

Não são ervas, não:

São graças dos olhos

Do meu coração.

Luís de Camões

Aguarela

Hoje consegui, após tentativas infrutíferas, colocar um vídeo do YouTub no blog. Fí-lo após alguma pesquisa na Net, o meu grande centro de apoio para todas as circunstâncias.

Espero que aprecie.


Um excelente dia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Falando de arte a propósito de Literatura

Em tempos pertenci a um grupo de leitura. Nele descobri autores e livros que decididamente me marcaram. Um desses autores foi Paul Auster. Comecei com o livro “Inventar a Solidão” que me fez mergulhar num mundo inesperado em que forçosamente fui obrigada a olhar para dentro de mim mesma, estabelecendo analogias entre o que lia e as minhas próprias vivências. Fiquei maravilhada com a possibilidade de reflexão sobre as fragilidades humanas que o livro permite. Obviamente que há muitos outros aspectos a ter em consideração. Compulsivamente li outros livros do mesmo autor. Gostei de vários, mas nenhum como este.

Há poucos dias atrás, estava eu a divagar pela Internet, à procura nem eu mesma sei de quê e deparei-me com um blog em que a autora, Cláudia de Sousa Dias, apresentava nada mais , nada menos, do que uma análise do conteúdo do referido livro. Não consegui resistir à vontade de partilhar consigo um momento que me disse muito quer ao coração, quer à razão. Espero que o aprecie. Espero igualmente que, ao ler o artigo que se segue, fique tentado a proceder à leitura deste livro que, sem dúvida, é uma obra de arte.

"Inventar a Solidão" de Paul Auster (ASA)

Este é mais um best-seller austeriano que, apesar de já ter sido publicado em 1982 nos EUA, só agora foi editado em Portugal.

O livro é composto por duas partes sendo a primeira intitulada de “Retrato de um Homem Invisível”. Aqui o autor tenta, ao longo de cerca de 90 páginas, recuperar a memória do seu pai, num esforço de reinventar a sua vida após uma morte súbita.

É então que dá de caras com o inesperado. A descoberta das circunstâncias que rodearam a misteriosa morte do avô e condicionaram a vida e a personalidade do pai bem como o grau de coesão da sua família e natureza dos laços afectivos que ligam os seus membros.

O teor deste livro genial é-nos dado logo na epígrafe inicial de Heraclito que avisa o leitor de que: “Na busca da verdade, prepara-te para o inesperado, pois é difícil descobri-la e, quando a encontramos, encontramos a perplexidade”.

O choque provocado pela morte do pai que impulsiona o autor a tentar reconstruir a sua vida, leva-o a recorrer à memória – tema que ocupa toda a segunda parte intitulada “O Livro da Memória” – obrigando-o a fazer uma regressão no tempo e a dissecar as diferentes facetas da personalidade do seu progenitor, expondo os seu aspectos positivos e negativos e, simultaneamente, a encontrar-se a si mesmo.

Durante o período que medeia essa mesma reconstrução, o Autor tem um encontro com o inesperado numa velha fotografia de família, rasgada e colada na qual a avó posa, rodeada de todos os seus filhos.

A fotografia faz lembrar, um espelho quebrado, na qual parece haver no entanto algo ou alguém que foi obliterado, apagado do registo fotográfico e das vidas dos restantes membros da família…

É então que a verdade vem colidir violentamente com o autor, deixando-o como que esmagado. Subitamente, tudo se torna inteligível…

Na segunda parte, já referida e intitulada “O Livro da Memória”, o autor tenta reconstruir os passos e toda a ambiência que precede o processo criativo do profissional da escrita. Trata-se de um conjunto de narrativas cujo objectivo é a construção de episódios com detalhes susceptíveis de cativarem a atenção do leitor e, sobretudo, de quem escreve.

Auster decompõe todo o acto de escrever, bem como toda a envolvente física e psíquica que fazem parte do processo de reconstrução da memória.

Para isso, tem de recuperar os momentos e episódios que marcaram a sua vida, coincidências e paralelismos que estabelecem um fio condutor quando se trata de escrita criativa, que o escritor reveste com as suas próprias significações.

Neste Livro da Memória, o discurso de Auster é, sobretudo, argumentativo, técnico, recorrendo o Autor aos saberes e experiências adquiridos. Mas também está presente o discurso emocional, como no episódio em que Auster descreve o quarto de Anne Frank ou um campo de refugiados do Cambodja no qual destaca a indiferença do mundo Ocidental face ao extermínio em massa. A banalização do Holocausto transformado em espectáculo televisivo ou em propaganda política.

Auster prossegue a exploração dos caminhos da memória estabelecendo um paralelismo entre a sua própria vida e a de algumas personagens que cruzaram o seu caminho: o pai ou o compositor com o qual compartilhou o quarto durante a sua estada em Paris; a relação de Rembrandt com o seu filho Titus justaposta com a sua e do seu próprio filho, Daniel.

Escrever é, para o autor, evitar o desaparecimento daqueles que mais ama; é uma forma de lhes conferir imortalidade, numa luta insana contra a morte para salvar os seus entes queridos de serem tragados pelo tubarão.

É especialmente significativa a interpretação que Auster faz do episódio de Pinocchio e Gepeto no ventre do Tubarão: o filho, para crescer, tem de salvar o pai. O Autor para assumir a sua função de pai, tornando-se adulto, tem, antes de mais, de resgatar o próprio pai das garras da morte.

O título do livro “Inventar a Solidão” tem, a ver com o acto de escrever. Porque, para ele, cada livro é a imagem da solidão e cada livro escrito é um acto de solidão partilhada, construído num abismo de silêncio, como explica na parábola bíblica de Jonas no ventre da baleia.

O autor fala, sobretudo, do passado, mas lembra que falar do futuro implica a utilização de uma linguagem que aqueles que vivem no presente não entendem, por isso as profecias estão, desde logo, condenadas ao descrédito como acontecia com Cassandra, a princesa visionária. Auster faz uma análise brilhante do extracto de da “Ilíada” de Homero que corresponde ao discurso da princesa troiana. Tal como no poema, existe a tendência, neste “Livro da Memória”, para o leitor mais desatento se perder um pouco, ao contrário do que acontece na primeira parte, onde é mais fácil seguir o fio condutor do raciocínio deste genial escritor-poeta.

A escrita de Auster é fria, argumentativa, extremamente analítica e dialéctica. Mas também de carácter associativo, em que cada pensamento remete para um outro numa pluralidade de ramificações e significações que se desdobram e que se aglutinam umas às outras num alucinante vórtice cerebral.

Um livro que pretende demonstrar que escrever é inventar a solidão para depois partilhá-la. Que, sem ser directivo, mostra o caminho para o auto-conhecimento.

Porque todo o livro que implique uma escrita criativa é um livro de memória.

Para prolongar o momento até à eternidade.

Cláudia de Sousa Dias

http://hasempreumlivro.blogspot.com/2005/04/inventar-solido-de-paul-auster-asa.html