domingo, 28 de junho de 2009

Uma despretensiosa História de Arte (parte 2)

Escola de Barbizon ...

A “Escola do Barbizon”, dá inicio a uma pintura que abandona as formas tradicionais de pintar, a pintura de Atelier.

A chamada escola de Barbizon foi um movimento artístico que se sucedeu entre os anos de 1830 e 1870, integrado por um conjunto de pintores franceses que se estabeleceram próximo ao povoado de Barbizon, nas cercanias do bosque de Fontainebleau, deixando Paris, numa atitude de aberta oposição ao sistema vigente.

Origens

Em 1824 o Salão de Paris exibiu uma exposição do pintor John Constable. Suas cenas rurais influenciaram alguns artistas jovens, fazendo que abandonassem o formalismo e o academismo para buscar sua inspiração directamente na Natureza. A paisagem e outras cenas naturais foram sua temática mais recorrente, como elemento protagonista de sua pintura e não como mero pano de fundo de feitos dramáticos ou cenas mitológicas.

Durante as revoluções de 1848, um grupo de artistas começou a se reunir no povoado de Barbizon , onde seguiam as ideias de Constable. Deste grupo faziam parte Théodore Rousseau, Jean-Baptiste Camille Corot, Jean-François Millet e Charles-François Daubigny. 


John Constable, Estudo de nuvens (1821)

Link: http://www.youtube.com/watch?v=ZoNG9vAcfy4

Estilo

Mantêm um estilo realista, porém de entonação ligeiramente romântica, que se caracteriza por sua especialização quase exclusiva em paisagens e o estudo directo do natural. Terá influência  no resto da pintura francesa do século XIX, em especial no Impressionismo. Usualmente faziam esboços ao ar livre, para terminar as obras no atelier. Renunciam aos tipos pitorescos da vida campestre e se lançam a analisar a natureza de um modo quase escrupuloso, observação que produz efeitos sentimentais na alma do pintor, adquirindo suas paisagens uma qualidade dramática perceptível.


Rousseau: Fontainebleau


Millet: As respingadoras de trigo

Link: http://www.youtube.com/watch?v=PNVLBNERL_w&feature=PlayList&p=B0D959269EFC0101&playnext=1&playnext_from=PL&index=9

 O NATURALISMO  1835-1870

O Naturalismo foi uma tendência artística prevalecente em toda a Europa, na segunda metade do século XIX. Influenciará o resto da pintura francesa do século XIX, em especial o Impressionismo.

O Naturalismo pretende imitar a Natureza com exactidão, opondo-se ao idealismo e ao simbolismo.

Os pintores foram-se interessando cada vez mais pela representação da vida quotidiana e dos seus acontecimentos triviais. Foi uma tendência que também teve expressão na literatura, especialmente nas novelas de Zola e dos Goncourts.

Esta escola procura a inspiração na observação directa da Natureza, que é pintada no local, e com toda a autenticidade. A sua temática é portanto determinada pela pintura ao ar livre (plein air): a paisagem, cenas da vida e do trabalho no campo. A pintura é executada no local e observando directamente o motivo a representar, bem como a luz e a cor local.

A PINTURA NATURALISTA (aspectos técnicos e plásticos):

- Permanência das regras clássicas da perspectiva;

- Relação com o academismos oitocentista;

- Estilo conformista, não fazendo crítica social como o realismo em França;

- Uso das gradações de cores primárias;

- Pintura livre, serena e cheia de transparências;

- Os retratos são subtis e as paisagens com marcação de volumes;

- Simplicidade e harmonia das personagens e da sua estética;

- Pintura sentimental bucólica;

- Pincelada mais definida nas feições e nas roupas;

- Expressividade e intensidade dramática;

- Análise expressiva do retrato físico e psicológico.

 

O NATURALISMO EM PORTUGAL 1880-1910:

Em Portugal o Naturalismo chega tardiamente em 1879, por influencia da obra dos bolseiros de Paris, especialmente Silva Porto e Marques de Oliveira, que tinha estado no Barbizon, tendo assimilado aí o método de pintura ao ar livre e a sua temática característica. Este estilo impõe-se e domina o gosto em Portugal até muito mais tarde do que no resto da Europa.

São representantes do Naturalismo: Silva Porto, Marques de Oliveira, José Malhoa, João Vaz, Sousa Pinto e Columbano (este com uma obra de características muito pessoais e especificas). São temas predominantes as paisagens rurais e marinhas, cenas bucólicas, cenas de costumes rurais (especialmente Malhoa), ambientes  urbanos e, principalmente em Columbano, cenas da vida urbana burguesa e o retrato.

João Marques da Silva Oliveira (Porto, 23 de Agosto de 1853— 9 de Outubro de 1927) foi um pintor naturalista português. 

Em 1864 entrou para a Academia Portuense de Belas Artes, completando o curso de história da pintura em 1873. Viveu em França de 1873 a 1879, com o seu colega Silva Porto. Os dois pintores são considerados os introdutores do naturalismo em Portugal. Em 1876 e 1877 viajou com Silva Porto pela Bélgica, Países Baixos, Inglaterra e Itália onde permaneceram mais demoradamente. Participou nos Salões de  Paris de 1876 e 1878. Em 1879, regressou ao Porto e, à semelhança de  Silva Porto, introduziu a pintura de ar livre em Portugal. A partir de 1881, e até 1926, foi professor na Academia Portuense de Belas-Artes, onde ocupou o lugar de director.


Napolitana, 1877-1878, Óleo sobre tela, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto

António Carvalho da Silva (Porto, 11 de Novembro de 1850 - Porto, 11 de Junho de 1893) foi um  pintor português que mais tarde adoptaria para apelido o nome da sua cidade natal, ficando conhecido por Silva Porto.

Biografia

Estudou na Academia Portuense de belas Artes, estagiou em Paris (1876-1877) e em Itália (1879). Em 1879 regressou a Portugal. Aureolado de prestígio, foi convidado para ensinar na Academia de Lisboa como mestre de Paisagem. Em 1880 realiza uma exposição de quadros paisagísticos inundados de luz, tendo D. Fernando adquirido o quadro Charneca de Belas. Fez parte do chamado Grupo do Leão, juntamente com António Ramalho, João Vaz, José Malhoa, Cesário Verde, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro. Entre outros galardões, recebeu a medalha de ouro da Exposição Industrial Portuguesa de 1884 e a primeira medalha do Grémio Artístico.

A sua pintura, cheia de luz e cor, é sobretudo inspirada na própria Natureza. É tido como um dos fundadores do naturalismo em Portugal.

Encontra-se largamente representado no Museu do Chiado em Lisboa e no museu nacional de Soares dos Reis no Porto. 

Colheita- ceifeiras, 1893, óleo sobre tela 

Não deixe de consultar:

http://www.lisboaeditora.pt/catalogo/pdfs/LEHA11_64_69.pdf

Bibliografia:

http://www.esec-josefa-obidos.rcts.pt/cr/ha/seculo_19/naturalismo.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/João_Marques_de_Oliveira

http://pt.wikipedia.org/wiki/António_da_Silva_Porto

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Barbizon

http://209.85.229.132/search?q=cache:6YB-OP8pw8MJ:www.exames.org/apontamentos/HstArte/histarte-realismo.doc+naturalismo+na+pintura&cd=5&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt

 

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