quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A necessidade da abstracção

Nas minhas leituras encontrei o seguinte texto que vai de encontro ao que eu sinto relativamente à pintura abstracta:

“Uma pintura é o reflexo mais pessoal de cada ser, das suas emoções e do seu carácter. Nalgum ponto das nossas carreiras como pintores alcançamos este patamar, mas para lá chegar, um longo caminho teve de ser percorrido.

Todos nós começamos por aprender as técnicas e regras da pintura para as podermos usar de modo a representar a realidade de forma tão “genuína” quanto nos for possível, numa superfície plana. Mais cedo ou mais tarde chega o momento em que ficamos cansados disso, e é aí que iniciamos as nossas pesquisas. Decidimos, então, abandonar todas as regras da pintura e descobrir que existe um mundo completamente diferente de pintar: o da abstracção. Compreendemos o que é a verdadeira liberdade e lançamos os fundamentos de uma pintura expressiva: liberdade, espontaneidade, ausência de limites.

Torna-se, então evidente, que não temos nenhuma necessidade nem desse mundo exterior, nem da realidade, para nos podermos expressar, e que, na verdade a realidade até possui um efeito condicionador.

O momento em que deixei “partir” a realidade constituiu para mim a libertação. Simultaneamente, apercebi-me que tinha chegado ao ponto em que o meu trabalho era um reflexo da minha pessoa, que este tinha origem no mais profundo do meu ser.

Posso garantir que cada obra que é criada com esta orientação é um reflexo directo de mim, enquanto ser humano, das minhas emoções, da minha personalidade.

Para mim é gratificante saber que tudo isto é único, individual, que é exactamente aquilo que sou.”

Tradução livre de

Vliet, Rolina van, The Art of Abstract Painting, Search Press, 2009, pág. 3

Apresento, agora, dois trabalhos de Rolina Von Vliet




2 comentários:

  1. Pessoas de todo o mundo têm visitado o teu blog, pena não comentarem, acho-o fantástico, tens mesmo uma maneira de escrever fora de serie. Sobre o assunto focado, acho que tens razão,mesmo nas aulas do professor, o último desenho que eu fazia era apenas macacadas para descontraír, pois sentia-me muito comprimida. Beijinhos

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  2. Fico contente por gostares do meu modo de escrever. Tu também o consegues na perfeição.

    Já pensaste que se temos uma maneira particular de escrever, um tipo de letra que é o nosso, ambos facilmente reconhecível, porque razão não havemos de conseguir o mesmo no domínio da pintura?

    Beijinhos também e obrigada por participares no blog.

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