segunda-feira, 22 de junho de 2009

A vertiginosa sucessão de acontecimentos

Há vidas complicadas e a dos animais não fica atrás. As notícias de donos que os abandonam podem ser facilmente comprovadas. Pobres animais. Que alterações tais acontecimentos provocam nas suas vidas: a luta pela sobrevivência, o confronto com animais de rua dos quais, a princípio, saem perdedores, a ânsia de obter comida... Tantas outras coisas que poderiam ser referidas, mas a meu ver e, principalmente, que falta devem sentir dos donos. Estarei talvez a projectar sentimentos humanos nos animais. Talvez. Mas quem pode garantir que com estes não se passa o mesmo?

Aconteceu aparecerem-me no quintal duas gatas que foram abandonadas. Ambas super dóceis, meigas, ronronantes, ávidas, evidentemente, de comida, mas muito, também, de afectos. Em casa demos-lhe estes dois ingredientes e elas foram permanecendo nas proximidades cada vez mais, fazendo do nosso quintal o seu porto de abrigo. E a ligação entre as gatas e nós próprios foi-se estreitando.

E aqui recordo-me de uma passagem do livro “O Principezinho “de Saint Éxupèry,

- O que significa "cativar, disse o principezinho"?

- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. – Significa criar laços.

- Criar laços?

- Isso mesmo - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passaremos a precisar um do outro. Passarás a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passarei a ser única no mundo...

E tratou-se mesmo de um processo em que laços foram criados e que consequências tiveram!

As duas gatas ficaram grávidas. A primeira, a Nina, teve seis crias escondendo-se, para o parto e durante os primeiros tempos, nas imediações, mas vindo à nossa casa comer várias vezes por dia. Cerca de um mês depois do parto, trouxe as crias para o quintal de uma vizinha. Como a veterinária dos meus 4 gatos tinha afirmado haver procura de gatinhos pequenos, e que seria fácil dá-los, pegamos nos 6 bichinhos e na mãe e levamo-los todos para adopção. Evidentemente que os gatinhos, que de facto eram lindos, tiveram saída, mas ninguém quis a Nina. Conclusão: a listagem dos meus gatos cresceu para cinco (convém dizer que os meus bicharocos vivem dentro da minha casa, sem nunca porem as suas reais patinhas no quintal – temos medo que possam ir para a rua e que possam ser atropelados). Bom, apesar de tudo, um final feliz.

 

Esta é a Nina

Mas aconteceu que a Boneca (a segunda gata abandonada) teve também gatinhos  que nasceram a 18 de Junho. Foram 5 as pequenas criaturas. Mas as coisas não estavam a correr bem. A gata não se deslocava para comer. Só o fazia se lhe colocássemos a vasilha por baixo da boca. E, no dia 21 começaram a morrer gatinhos. Foram três no mesmo dia. E como miavam de inanição! Na 2.ª Feira, dia 22, eu e o meu marido levamos quer a gata, quer os dois gatinhos sobreviventes até à veterinária. A Boneca tinha razões de sobra para não se deslocar. Estava com  febre resultante de uma brutal infecção e a ecografia realizada revelou (vou expressar-me em linguagem da leiga no assunto, que sou) uma massa estranha na zona do útero (mas não a presença de gatinhos mortos como a princípio se suspeitou). Além disso só uma das tetas vertia leite, em pequeníssima quantidade!

Concluindo: a mãe teria de ser operada de urgência, o que aconteceu hoje mesmo. Às 10 da noite a veterinária ligou-me a comunicar-me que a operação tinha corrido bem, mas que as próximas 48 horas serão decisivas. A gata tinha imensa quantidade de pus acumulado na zona abdominal e quistos muito significativos nos ovários. Vamos aguardar pelo desenrolar dos acontecimentos, esperando que tudo continue a correr pelo melhor.

E as duas crias? Pois é... Vieram para a minha casa. Estou a alimentá-las a biberão. A cada 3 horas lá vou eu tentar dar leite aos bichinhos. Nenhum deles abre ainda os olhos. A gatinha consegue mamar. Depois de uns momentos iniciais de rejeição, é vê-la na sucção da tetina do biberão. Com que entusiasmo uma boquinha de nada se lança nesta operação!

O mesmo não acontece com o gatinho: é uma luta: o bichinho não mama nem por nada. Mia com toda a sua alma, com todo o seu empenho (mas não suga) e eu, que sei que ele tem de ingerir o leite para sobreviver, lá tento fazê-lo com o biberão, com uma seringa a injectar-lhe leite na boca, sei lá o que faço. Espero que a quantidade de leite que lhe consigo ministrar seja suficiente para a sua sobrevivência.

 

Estes são os dois gatinhos que alimento a biberão. O mais escuro é o que o rejeita. A mais clarinha agarra-o bem!

E agora coloca-se outra questão. O que farei com estes dois gatos? Que destino dar-lhes? Não posso ficar com 7 gatos em casa. É excessivo! Crio-os e ponho-os na rua? E os laços afectivos que nos unirão em breve? Bom, vamos viver o hoje. Amanhã quem poderá saber o que irá suceder?

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